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Acesso de emergência: quando a rede bloqueia tudo

O acesso de emergência (OLCRTC) no CreateYourVPN: um canal reserva disfarçado de videochamada para redes com listas de permissão — quanto custa aos seus servidores, o que se liga sozinho com o Pro e o que contar aos seus usuários com antecedência.

Tudo até aqui partia de um pressuposto: que a rede ainda deixa seus servidores passarem. Uma rota escolhe um servidor, um inbound faz a conexão parecer uma visita HTTPS comum, o multihop estica o caminho por vários países — mas tudo isso exige que o tráfego saia do aparelho.

E nem sempre sai. A rede passa a uma lista de permissão: funciona uma lista curta de serviços autorizados e todo o resto — sua VPN inclusive — simplesmente não passa. O acesso de emergência (OLCRTC) foi feito exatamente para essas horas.

O que é — e o que não é

O acesso de emergência é um canal reserva, não um segundo protocolo. A conexão normal continua sendo a mesma de sempre: VLESS + Reality nos seus próprios servidores. O acesso de emergência reaproveita esses mesmos servidores, mas embrulha o tráfego dentro de uma videochamada em um serviço que a rede restrita ainda permite — de fora, parece uma videoconferência comum.

Daí saem três consequências, e vale conhecer as três antes de prometer qualquer coisa:

  • Quem liga é o usuário, na mão, só quando mais nada funciona. Não há troca automática: a conexão normal não «pula» sozinha para a de emergência.
  • É lento. Cerca de 14 Mbit/s de descida, menos de um megabit de subida, 175–235 ms de latência. Confortável para ler e assistir a vídeo, inútil para enviar arquivos, fazer videochamadas e jogar.
  • É temporário. Uma sessão vive até 12 horas e para sozinha; o usuário pode ter uma de cada vez; para continuar, ele inicia outra.

O recurso é experimental. Depende de um serviço de vídeo externo estar acessível a partir da rede restrita, então não funciona em todo país nem em toda rede. Apresente-o aos seus usuários como um seguro contra bloqueios duros, e não como uma capacidade garantida.

Como isso aparece para o usuário

  1. Ele cria uma videochamada nova em um serviço suportado — Yandex Telemost, WB Stream ou Jitsi Meet.
  2. Entrega o link dela: cola no bloco Acesso de emergência na área dele, ou envia por e-mail para um endereço pessoal de solicitação. Os dois caminhos fazem a mesma coisa — e o do e-mail continua funcionando quando sua vitrine já está bloqueada.
  3. Um dos seus servidores entra nessa chamada como convidado. Cerca de um minuto depois o usuário recebe um link de conexão que começa com olcrtc:// e um QR code.
  4. Ele importa no olcbox, o cliente de emergência, e se conecta.

As duas coisas de que o usuário precisa — o aplicativo e o endereço de solicitação — têm que estar com ele antes do bloqueio. Sob uma lista de permissão, as lojas de aplicativos e as páginas de download costumam ficar inacessíveis, e a área onde o endereço aparece pode nem abrir. Quem descobre o acesso de emergência durante o bloqueio descobriu tarde demais.

O que é preciso do seu lado

  • Uma assinatura Pro — € 0,99 por mês. É o nível que traz o acesso de emergência; o Max também o inclui, junto com todo o resto (aula 13).
  • Uma rota de emergência. Os servidores das rotas marcadas como de emergência formam o pool onde as sessões pousam. Na sua primeira assinatura o sistema marca uma por você — a rota com mais inbounds funcionando — e já levanta a chave do cluster.
  • Os servidores. Participam por padrão, e o runtime se instala e se atualiza em segundo plano: nada para instalar por SSH.

Ou seja, no caso comum não há o que configurar: você assina e o acesso de emergência funciona. Os controles manuais ficam ali para quando você quiser: quais rotas compõem o pool, quantas sessões cada servidor aguenta e se convém deixar algum de fora.

Em que difere de uma rota normal

  • O usuário não escolhe o país. Ele nem vê o pool — a intenção geográfica quem expressa é você, marcando certas rotas como de emergência. Dá para marcar várias: o pool junta todas, e se em uma não houver servidor adequado a sessão vai para outra.
  • Rotas multihop não participam. Nas sessões de emergência só entram rotas diretas.
  • Uma sessão custa CPU de verdade. Empacotar o tráfego em um fluxo de vídeo consumiu, na medição, cerca de 15% de um núcleo e 31 MB de memória (sessão de vídeo a ~5 Mbit/s) — bem mais do que mais um usuário de VPN. A referência são 3 sessões por núcleo: 3 num servidor de um núcleo, 6–7 com dois, 12–14 com quatro.

O campo «Máx. de sessões simultâneas» vazio significa sem limite. Num servidor fraco isso é uma armadilha: as sessões de emergência vão comer a CPU que seus clientes normais pagam. Em máquinas de um núcleo, coloque o número explicitamente.

Quais dos seus usuários vão conseguir usar

Os requisitos são mais rígidos do que parecem — e é daí que vêm as perguntas ao suporte:

  • E-mail verificado. Os usuários que você criou na mão sem endereço não conseguem nem solicitar.
  • Conta ativa. Contas pausadas, expiradas, com o limite de tráfego esgotado e à espera do primeiro pagamento (todos os que se cadastraram sozinhos e ainda não pagaram) recebem recusa.

A reclamação que você vai ouvir soa assim: «pedi e não aconteceu nada». Comece pelo status da conta e pelo link da chamada; no caminho do e-mail, confira se ele saiu do endereço da conta e trazia apenas o link.

Para lembrar

  • O acesso de emergência é uma boia para redes com listas de permissão, não um segundo protocolo nem um substituto da conexão normal.
  • O tráfego passa pelos seus próprios servidores, disfarçado de videochamada que o próprio usuário cria.
  • Lento, até 12 horas, uma sessão por usuário, início manual.
  • Com o Pro ele se liga sozinho: uma rota é marcada como de emergência, a chave do cluster sobe, os servidores participam por padrão.
  • Uma sessão ≈ 15% de um núcleo de CPU — em servidores fracos, defina a capacidade explicitamente.
  • O usuário precisa de e-mail verificado, conta ativa e o cliente instalado com antecedência.

Adiante

O acesso de emergência trata do que fazer quando a rede quebra. A próxima aula é sobre a outra metade: como o sistema percebe que quebraram os seus servidores.

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